João Marques, advogado do Marques Silva Advogados, sobre dívida de banco caduca

Dívida de banco caduca? Em quantos anos e o que muda depois

Dívida de banco caduca, sim. Na linguagem jurídica, isso se chama prescrição: depois de 5 anos, em regra, o banco perde o direito de cobrar a dívida na Justiça (Código Civil, art. 206, § 5º, I). Mas o prazo nem sempre começa no dia em que você parou de pagar, ele pode ser interrompido, e o nome sai do Serasa em um prazo diferente. Entender essas três contas evita decisões erradas, como assinar um acordo que ressuscita uma dívida quase prescrita.

Antes de esperar a dívida caducar, faça a conta

Esperar a prescrição pode parecer a saída mais barata, mas, enquanto o prazo corre, o banco pode protestar, entrar com ação e pedir bloqueio de contas. No escritório, estudamos as linhas de defesa de cada caso a partir da lei, da nossa experiência e de uma base de mais de 17 mil processos julgados, e negociamos direto com as assessorias jurídicas dos bancos, que trabalham com propostas e alçadas de aprovação. Saber quanto falta para a dívida prescrever muda a negociação: uma dívida perto de caducar vale menos para o banco. Veja como funciona um acordo com o banco.

Em quantos anos a dívida de banco caduca

Tipo de cobrançaPrazoBase legal
Cobrança na Justiça de dívida com contrato ou documento escrito (empréstimo, cartão, cheque especial)5 anosCódigo Civil, art. 206, § 5º, I
Execução direta da cédula de crédito bancário3 anosLei 10.931/2004, art. 44, e Lei Uniforme, art. 70
Ação monitória de cheque sem fundos5 anos, contados do dia seguinte à data do chequeSúmula 503 do STJ

Passados os 3 anos da cédula, o banco ainda pode cobrar por ação monitória ou ação de cobrança, dentro dos 5 anos. Por isso, para a maior parte das dívidas bancárias, o número que importa é 5.

Quando o prazo começa a contar

Aqui está o erro mais comum. Em empréstimo parcelado, o prazo de 5 anos conta do vencimento da última parcela prevista no contrato, e não da primeira parcela atrasada. O STJ entende assim mesmo quando o banco declara o vencimento antecipado da dívida.

Exemplo: um empréstimo de 48 parcelas contratado em dezembro de 2021, com a primeira parcela em janeiro de 2022. Você parou de pagar na 10ª parcela, em outubro de 2022. A última parcela venceria em dezembro de 2025. A dívida só prescreve em dezembro de 2030, oito anos depois do primeiro atraso.

Linha do tempo de um empréstimo de 48 parcelas: o nome sai do cadastro antes de a dívida prescrever

Em conta corrente, cheque especial e cartão, o tribunal costuma contar do vencimento da dívida ou da última movimentação da conta. Para o cartão, veja também não paguei o cartão de crédito: o banco pode tomar meus bens?.

O que interrompe o prazo

A prescrição é interrompida uma vez só, e o prazo volta a correr do zero (Código Civil, art. 202). Os casos mais comuns:

  1. O banco entra com a ação e o juiz manda citar. A interrupção volta à data em que a ação foi proposta, desde que o banco tome as providências para a citação. Se a demora foi culpa do banco, a dívida pode prescrever mesmo com a ação em andamento.
  2. Protesto do título em cartório.
  3. Você reconhece a dívida: assina confissão de dívida, renegociação ou parcelamento.

E há um risco depois que o prazo já passou: pagar ou assinar um acordo pode valer como renúncia à prescrição (Código Civil, art. 191). Quem paga uma dívida prescrita não consegue o dinheiro de volta (art. 882).

Dívida caducada sai do Serasa?

Há duas coisas diferentes com o nome “Serasa”:

  1. O cadastro de inadimplentes (nome negativado). O nome pode ficar ali por no máximo 5 anos, contados do vencimento da dívida (Código de Defesa do Consumidor, art. 43, § 1º, e Súmula 323 do STJ). Esse prazo não depende da prescrição: no exemplo do empréstimo, o nome sai em 2027, mas a dívida só prescreve em 2030. Se o nome continuar negativado depois do prazo, a inclusão é indevida. Veja nome negativado indevidamente.
  2. As plataformas de negociação, como o Serasa Limpa Nome. Mesmo prescrita, a dívida pode continuar aparecendo ali como proposta de acordo. O STJ entendeu que isso não é cobrança nem negativação: a plataforma só é vista pelo credor e pelo devedor e não influencia o score.

O banco pode cobrar dívida prescrita?

Na Justiça, não. E a Terceira Turma do STJ decidiu que, reconhecida a prescrição, também fica proibida a cobrança extrajudicial, por telefone, mensagem ou carta (REsp 2.088.100/SP e REsp 2.103.726/SP). A dívida, porém, não desaparece: se você pagar por vontade própria, o pagamento vale.

Cobrança indevida e dano moral

Cobrar uma dívida prescrita, ou manter o nome negativado depois do prazo, é cobrança indevida. Mas indenização por dano moral não é automática:

  • Nome negativado além do prazo: o STJ entende que a negativação indevida, por si só, gera dano moral, sem precisar provar o prejuízo, salvo se já havia outras negativações legítimas no nome (Súmula 385 do STJ).
  • Ligações e mensagens cobrando dívida prescrita: a indenização costuma depender de excesso, como insistência, ameaça ou constrangimento (CDC, art. 42), e da prova de que você pediu para parar e o banco continuou.
  • Tempo perdido tentando resolver: pode reforçar o pedido pela teoria do desvio produtivo do consumidor. No estudo que fizemos sobre o tema, em casos de negativação ou cobrança com desvio produtivo, o dano moral foi concedido em 47% dos julgados.

Guarde protocolos, prints e o histórico de cobranças. Veja também cobrança indevida do banco.

Prescrição intercorrente: quando o processo fica parado

A dívida também pode prescrever com o processo em andamento. Se o banco já entrou com a ação ou com a cobrança da sentença, mas não encontra o devedor nem bens para penhorar, o processo fica suspenso por até 1 ano. Depois disso, volta a correr o prazo de prescrição, de 5 anos na maior parte das dívidas bancárias, contado da primeira tentativa frustrada de localizar o devedor ou os bens (CPC, art. 921, §§ 1º e 4º). Se o prazo passar sem que o banco consiga citar, intimar ou penhorar, o juiz extingue a cobrança, inclusive de ofício.

Na base de ação monitória, a prescrição intercorrente foi reconhecida em 51% das decisões que discutiram o ponto. Ganha quem mostra que o processo ficou parado por culpa do banco, sem diligências úteis, por mais de 5 anos.

O que mostram as decisões do TJSP

No estudo que fizemos sobre ação monitória, separamos 74 decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo, julgadas entre novembro de 2025 e outubro de 2026, em que o devedor alegou prescrição contra um banco. Lemos cada uma:

Resultado da alegação de prescriçãoPercentual
Prescrição reconhecida, no todo ou em parte24%
Prescrição afastada76%

Como ler esses números. A classificação foi feita a partir das ementas, uma a uma, sem os casos de processo parado (prescrição intercorrente) e de cheque. Os percentuais mostram como o tribunal tem decidido, não a chance de um caso concreto.

Os dois motivos que mais derrubaram a alegação foram os que este artigo explica: o prazo contado do vencimento da última parcela e a demora na citação que não era culpa do banco. Quando a prescrição foi reconhecida, em geral o banco tinha entrado com a ação depois dos 5 anos ou deixado o processo sem citar o devedor por falta de cuidado dele.

Erros comuns

  1. Contar da primeira parcela atrasada. Em empréstimo parcelado, o prazo conta do fim do contrato.
  2. Confundir o nome limpo com a dívida prescrita. O nome sai em 5 anos do vencimento; a dívida pode continuar cobrável na Justiça.
  3. Assinar acordo sem conferir o prazo. A renegociação reinicia a contagem ou vale como renúncia.
  4. Ignorar uma citação perto do fim do prazo. A prescrição precisa ser alegada na defesa, com as datas.
  5. Não acompanhar um processo parado. Se a cobrança ficou anos sem andamento, pode haver prescrição intercorrente, e ela precisa ser pedida.

Perguntas frequentes

Dívida de banco caduca em quantos anos?

Em regra, em 5 anos para a cobrança na Justiça (Código Civil, art. 206, § 5º, I). A execução direta da cédula de crédito bancário prescreve em 3 anos, mas o banco ainda pode cobrar por ação monitória dentro dos 5.

A partir de quando conta o prazo da dívida caduca?

Em empréstimo parcelado, do vencimento da última parcela prevista no contrato, mesmo que o banco tenha antecipado o vencimento. Em conta corrente e cartão, costuma contar do vencimento da dívida ou da última movimentação.

O banco pode cobrar uma dívida prescrita?

Não na Justiça. Para a Terceira Turma do STJ, também não por cobrança extrajudicial, por telefone, mensagem ou carta.

Se eu fizer um acordo, a dívida volta a valer?

Renegociar ou confessar a dívida antes da prescrição reinicia o prazo. Depois da prescrição, pagar ou assinar acordo pode valer como renúncia. Por isso, confira as datas antes.

Cobrança de dívida prescrita dá dano moral?

Pode dar, mas não é automático. Nome negativado depois do prazo gera dano moral pela própria negativação indevida. Ligações e mensagens cobrando dívida prescrita costumam exigir prova de excesso, como insistência ou constrangimento.

O que é prescrição intercorrente?

É a prescrição que acontece durante o processo, quando a cobrança fica parada porque o banco não encontra o devedor ou bens. Depois de 1 ano de suspensão, corre o prazo de prescrição, e o juiz pode extinguir a cobrança (CPC, art. 921).

Dívida prescrita continua no Serasa?

O nome negativado sai em até 5 anos do vencimento. A dívida pode continuar aparecendo em plataformas de negociação, como o Serasa Limpa Nome, mas isso não influencia o score.

Para saber como trabalha um advogado bancário do escritório, veja a página inicial. O termo também está explicado no glossário do processo bancário.

Fontes

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João Marques | OAB/SP 293.828

Advogado Especialista em Direito Bancário graduado pela Fadi, pós-graduado pela EPM (Escola Paulista da Magistratura) e possui MBA em Gestão e Business Law pela FGV-RIO.

 

João Marques é advogado especialista em Direito Bancário, com foco em defesa de pessoas e empresas que precisam de soluções em renegociação de dívidas e fraudes financeiras. Soma mais de 15 anos de atuação estratégica no setor.

Após atuar como Diretor Jurídico e vivenciar os bastidores das empresas, fundou em 2014 a Marques Silva Sociedade de Advogados. Sua missão é humanizar o atendimento jurídico, combatendo abusos bancários para devolver o equilíbrio financeiro aos seus clientes. Além da advocacia, compartilha orientações práticas em suas redes sociais e prioriza uma cultura de excelência e empatia para funcionários e parceiros.

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